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Algures no interior de Portugal, Portugal

A Nuvem das Promessas


 Foto: Anatar


Uma estória para crianças crescidas
ou, crescidos que ainda são crianças


Era uma vez...

Um grupo de meninas e meninos recebeu a visita de uma estranha e intrigante personagem que parecia estar zangada com eles.
Seria porque as meninas e meninos eram maus?
Ou… porque se portavam mal?
Eram desobedientes?
Não Faziam os trabalhos de casa?
Será que tratavam mal os pais, colegas, professores, amigos, amigas,  primos, primas, tios, tias ou avós?
Ou então não tomavam banho, nem lavavam os dentes?
Não. Essas meninas e meninos faziam tudo bem.
Eram exemplares.
Eram tão exemplares, mesmo tão exemplares, que ninguém tinha inveja deles.
Eram o orgulho de todos: dos pais, professores, amigos, amigas, primos, primas, tios, tias ou avós e até das pessoas que conheciam pela primeira vez.
Estas meninas e meninos, eram tão exemplares, mesmo tão exemplares, que os pais professores, amigos, amigas, primos, primas, tios, tias ou avós e até as pessoas que conheciam pela primeira vez, lhe estavam sempre a dizer que eles mereciam isto, mereciam aquilo e mais aquilo. Mas, como eram exemplares, diziam que eram assim, porque achavam que todas as pessoas deviam ser assim.
Os pais dessas meninas e meninos, gostavam tanto deles, mas mesmo tanto, que estavam sempre a prometer coisas, apesar dessas meninas e meninos estarem sempre a dizer que não queriam nada.
E a situação repetia-se sempre que chegava uma boa nova aos ouvidos dos pais dessas meninas e meninos: mal chegavam a casa, eram recebidos com muita alegria e, sem pedissem, os pais prometiam mais alguma coisa.
E hoje, essas meninas e meninos, tiveram então, a visita da tal estranha e intrigante personagem. E a estranha e intrigante personagem falou-lhes assim:
- Eu sou a Nuvem das Promessas. Tenho três cores: branca quando estou contente, cinzenta quando estou desconfiada e preta quando estou zangada. E quando estou mesmo muito zangada eu nem sei como fico!
- Pela cor que tens agora parece que estás desconfiada, disseram as meninas e meninos exemplares.
 - É verdade – disse a Nuvem das Promessas. – Ando a ver se as promessas que as pessoas fazem são cumpridas. Normalmente venho ralhar com meninas e meninos que prometem que vão estudar mas não estudam, que vão tomar banho mas não tomam, que dizem que vão lavar os dentes mas não lavam, que prometem que vão passar pouco tempo nas redes sociais ou na consola de jogos, mas não passam, etc., mas vejo que com vocês é ao contrário. – E  a Nuvem da Promessas continuou. – As pessoas que vos rodeiam é que passam a vida a prometer-vos coisas.  E vejo mais –  continuou a nuvem que começava a ficar mais escura – vejo que fazem muitas promessas e não cumprem.
- Mas, ó Sr.ª Nuvem – disseram as meninas e meninos em uníssono – a nós não nos importa. Nós gostamos de ser como somos….
- Sim! Está bem, mas as pessoas não têm de andar a exibir-se a dizer que vão fazer isto e que vão fazer aquilo e depois, nada! Quem promete tem de cumprir.  Quem fala que vai fazer isto e aquilo e não cumpre, não passam de oportunistas! E ainda por cima, quando são essas pessoas que tomam a iniciativa de prometer, sem que ninguém lhes tenha pedido nada!
- Ó Sr.ª Nuvem, agora estás mesmo preta! – Disseram as meninas e meninos exemplares.
- Estou muito zangada! Estou mesmo muitíssimo zangada! Estou muito zangada porque ninguém cumpre o que vos promete! E vocês também deviam estar assim!
Assim que acabou de falar, de repente e inesperadamente, a Nuvem das Promessas soltou um grande raio e um enorme trovão, com um estrondo tão grande, tão grande, que assustou as meninas e meninos exemplares.
- O que é que fizeste Nuvem das Promessas? – perguntaram as meninas e meninos, já refeitos do grande susto que apanharam.
- Soltei uns raios mágicos e, a partir de agora, se todas as pessoas que têm promessas por cumprir não as cumprirem, vão passar andar com uma nuvem à volta da cabeça. – Disse a Nuvem das Promessas com a cor muito zangada. – É para todos saberem quem é que não cumpre as promessas!
- A sério? – perguntaram as meninas e meninos. – E como é que vamos conhecer as pessoas?
A Nuvem das Promessas respondeu:
- Cada nuvem fica com a cara igual à da pessoa. Se a promessa for muito grande, ou muito antiga a nuvem é preta. Se a promessa for média e não é muito antiga,  é cinzenta. As nuvens vão ficando mais claras, conforme as pessoas vão cumprindo as promessas, até que desaparecem, quando as promessas forem todas cumpridas.
- Puxa nuvem, assim parece que ninguém vai fazer mais promessas!
- Quem fizer promessas tem de cumprir! Todos têm de aprender a lição! Não pode haver falsas promessas!
Dito isto, a Nuvem das Promessa desapareceu.
As meninas e meninos exemplares começaram a olhar à sua volta e só viram nuvens nas cabeças das pessoas.
Entretanto, as pessoas, cabeças de nuvem, repararam que aquelas meninas e meninos exemplares continuavam normais, sem nuvens na cabeça. Foram ter com eles e perguntaram:
- Porque é que vocês são os únicos a não terem nuvens na cabeça? – perguntou uma das cabeças de nuvem.
- Porque nós não temos nenhumas promessas para cumprir.
- Então estas nuvens só saem da nossa cabeça, se cumprirmos as promessas que fizemos? – perguntou outra das cabeças de nuvem, muito preocupada.
- Sim, para voltarem ao normal têm de cumprir todas as promessas que fizeram, disseram as meninas e meninos exemplares.
Foram precisos muitos anos para que as cabeças voltassem ao normal. Será que todos aprenderam a lição?
Será que ainda há cabeças de nuvem aqui por perto?






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