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Algures no interior de Portugal, Portugal

Encontro com o Tempo


Foto: Craig Mason

Uma estória sobre uma menina que queria muito
estar preparada para o Futuro

Era uma vez…

A Mafalda nasceu rechonchuda e rosadinha, num dia de muito sol, com temperatura amena e com os passarinhos a chilrear. As flores, atrevidas, não tinham vergonha em mostrar as suas lindas e exuberantes cores e formas, enquanto as abelhas zumbiam à sua volta, atarefadas, à procura do melhor néctar para levarem para as suas colmeias. O dia que a Mafalda nasceu, foi o dia mais feliz das nossas vidas, disseram os pais dela. A Mafalda, uma menina bonita e perfeita – como toda a gente dizia – cresceu, como todas as crianças deviam crescer. Cresceu com saúde, alegria, com muitas amigas e amigos, muita energia e sobretudo muita curiosidade. A felicidade que a Mafalda transmitia aos pais, era também partilhada por todos que a rodeavam, pela família, pelas amigas, vizinhos, enfim por toda a gente. Onde estava a Mafalda havia sempre cor, luz, alegria, animação.
A Mafalda cresceu e, quando chegou a altura de ir para a escola, como todas as crianças, estava muito ansiosa, mas também com muita curiosidade e vontade de arranjar novas amigas, de ir conhecer novas pessoas, novos colegas e aprender muitas coisas. E conseguiu isso tudo. A Mafalda quase não tinha tempo para poder ter tantas amigas e amigos e partilhar os seus gostos e atividades com eles.
Conforme a Mafalda foi crescendo, os pais começaram a falar-lhe do Futuro.
- Tens que te dedicar mais aos estudos Mafaldinha, pois só assim podes garantir o teu Futuro – diziam os pais.
- Sim paizinho. Sim mãezinha – dizia a Mafalda, sem perceber muito bem o que era aquilo de se preparar para o Futuro. O que ela mais gostava era de estar com as amigas e amigos, com a família, de ir passear com os pais, ir à praia e ao campo, ter actividades fora de casa, enfim estar sempre ocupada. Também gostava muito de ler, e se não podia estar mesmo com as amigas, conversava com elas pelo Skype, Instagram ou Whatsapp. Também gostava de andar de bicicleta, de ouvir música e sim, também gostava de estudar e de ter boas notas.
Conforme a Mafalda foi crescendo, os pais, vendo que ela, apesar de ser boa aluna, boa menina e muito disciplinada, acharam que ela podia aperfeiçoar-se. Começaram a insistir com ela, dizendo que se quisesse ter um Futuro melhor, teria que deixar de andar a perder tempo a brincar e a fazer outras coisas fora de casa que não fosse na escola e a estudar. E a estudar; e a estudar…
- Só assim conseguirás um Futuro brilhante. Um Futuro risonho. Um Futuro onde tu poderás ser e fazer tudo o que quiseres. Se perdes tempo com as pessoas e com brincadeiras não chegas lá! – diziam constantemente os pais da Mafalda.
- Mas assim eu não consigo brincar com ninguém, deixo de ver e estar com as minhas amigas! – queixava-se a Mafalda inúmeras vezes. Mas os pais eram categóricos.
- Tens que te preparar para o Futuro minha filha, tens que te preparar para o Futuro e, a única maneira de isso acontecer é dedicares-te a estudar.
A insistência dos pais da Mafalda foi tanta, que ela, como adorava os pais e não querendo desiludi-los, apesar de contrariada e triste, acedeu.
Ela interiorizou, e assumiu como sua, a opinião dos pais em relação ao Futuro. Porque era uma coisa muito importante, dedicou-se então completamente a preparar o seu Futuro.
Os tios e os primos convidavam-na para sair, para passear, mas a Mafalda, muito disciplinada a preparar o seu futuro, nunca se desviou da sua conduta.
- Desculpa mas não posso ir. Tenho de estudar e preparar o meu Futuro – dizia a Mafalda.
- Anda lá Mafalda, anda lá andar de bicicleta um bocadinho connosco – convidavam-lhe as amigas e colegas – vem apanhar um bocado de sol que o dia está tão bonito.
- Não posso! Não Posso! Não posso! Era a esta a resposta típica da Mafalda. E assim, os tios e primos foram as primeiras pessoas a desistirem de estar com ela.
O Futuro, e só o Futuro, era o seu objectivo. Passaram mais anos ainda, e a Mafalda manteve aquela fixação que lhe tinha sido induzida pelos pais e assumida por ela.
- Gostamos muito de ti Mafalda – diziam constantemente os pais.
- Eu também – dizia a Mafalda.
Por causa da sua recusa em estar com as pessoas, deixou de ter amigos, e os poucos que ainda restavam e que, de vez em quando, tentavam falar com ela, ao verem-na só preocupada com o Futuro, desoladas, acabavam também por a abandonar. Às vezes, desabafava com os pais, que se calhar estava muito sozinha, não tinha amigas e que já não via a família há muitos anos, que os avós já tinham partido e ela mal se tinha apercebido. Mas os pais, diziam-lhe sempre que ela estava no bom caminho e que assim é que estava preparar bem o Futuro. Que no Futuro podia ser e fazer tudo o que ela quisesse. Poderia então passear, sair com as amigas, viajar e até ter um cão… E ela, por amor aos pais, foi-se conformando sempre com aquilo que os pais lhe diziam.
Um dia, sem se fazer anunciar, o Futuro chegou.
O Futuro bateu à porta e, a Mafalda que tinha passado os anos todos da sua vida a preparar-se para ele, não o conheceu e por isso assustou-se.
- Então Mafalda, não me conheces? – perguntou-lhe o Futuro – Tens andado estes anos todos a preparar-te para mim e agora que eu cheguei tu não me conheces?
A Mafalda olhou para o Futuro e vendo uma figura velha, sem saber ser era homem ou mulher, sem brilho nos olhos, os cabelos desgrenhados, cheia de rugas na cara e o corpo todo curvado, não gostando nada do que viu, ficou muito desconfiada. Passados alguns minutos, depois de ganhar coragem perguntou:
- Mas, se o Senhor é o Sr. Futuro, porque é que é assim tão velho? Eu pensava que para se ser Futuro tinha que se ser novo, bonito, cheio de energia, com amigos à volta, com alegria, a divertirem-se…
- Pois é isso que eu sou: novo, bonito, cheio de energia, com amigos à minha volta, com muita alegria, e a divertir-nos sempre que podemos.
- Olha, o Senhor não pode ser o Sr. Futuro. E não sei porque é que está a mentir-me. Aquilo que eu vejo não é nada disso que está praí a dizer! – disse a Mafalda muito empertigada.
- Ó menina Mafalda! Estás completamente enganada! Isso de que tu estás a falar não é o meu retrato. Eu, na verdade, é como te digo: sou jovem, bonito, com energia e tenho muitas pessoas amigas.
A Mafalda não queria acreditar que aquele que dizia ser o Futuro podia estar a ser tão mentiroso. E o Futuro continuou.
- Os meus melhores amigos e amigas foram-me apresentados pelo Sr. Passado. O Sr. Presente também me acabou de apresentar algumas pessoas novas e eu vou ter que me empenhar para elas também ficarem minhas amigas. Todas elas são minhas amigas porque eu sempre as respeitei, brincámos juntas, partilhámos os nossos problemas e encontrámos soluções, vivemos as nossas alegrias e tristezas, passámos maus momentos em que nos apoiámos e por bons momentos em que nos divertimos muito, enfim, fiz belas amizades e por isso, sempre que preciso de alguma coisa delas, sempre que preciso das pessoas minhas amigas, posso sempre contar com elas; e elas comigo.
Estas palavras do Futuro deixaram a Mafalda muito intrigada.
- Desculpa lá, ó Sr. Futuro, mas eu não conheço nenhum Sr. Presente e muito menos um Sr.Passado. Os meus pais só falavam no Futuro. Eu só ouvi falar no Futuro, eu sempre me dediquei a estudar e a trabalhar para ter um Futuro risonho e brilhante e por aquilo que estou a ver, você não é o meu Futuro. Por isso não sei do que falas nem me interessa. Vou ficar aqui a lutar pelo meu Futuro e quando ele chegar de certeza que o reconhecerei. A Mafalda falava, falava, sem perceber muito bem o que estava a acontecer.
- Além disso – continuava a Mafalda – não vejo aí nada do que me acabaste de dizer que eras. Onde estão essas pessoas todas que dizes o Sr. Passado e o Sr.Presente te apresentaram, que tu as respeiteitaste, que brincaram juntas, partilharam os vossos problemas e encontraram soluções, com quem viveram as vossas alegrias e tristezas, que passaram maus momentos em que se apoiaram e que passaram por bons momentos em que se divertiram muito e que tu dizes que são muito tuas amigas, que eu não vejo ninguém?
- Pois eu te garanto que elas estão aqui comigo. Fazem parte de mim. Sem elas eu não consigo viver.
- Pois és um grande mentiroso, porque eu só vejo uma figura velha…
- Eu posso explicar-te – o Futuro ia a falar mas a Mafalda não deixou.
- E porque é que dizes que és jovem e cheio de energia, se eu só vejo uma figura velha, cheia de rugas, nem sei se é homem ou mulher, só vejo uma figura feia, corcunda, e com os os cabelos desgrenhados e maltratados? Porque é que mentes? O Futuro, pacientemente aguardava que a Mafalda lhe desse espaço, que não inperrompesse, para lhe poder explicar tudo. Mas a Mafalda parecia estar em negação.
- Eu posso explicar-te Mafalda.
- Então explica! – disse a Mafalda com muito má educação.
- Pois bem Mafalda. O que se passa é o seguinte: quando o Futuro vem ter connosco, aquilo que nós vemos não é o Futuro. Aquilo que nós vemos é a nossa figura, a nossa imagem. Aquilo que vemos é exatamente aquilo que somos. Aquilo que tu estás a ver não é o Futuro; aquilo que estás a ver é o Presente. Por isso essa figura velha, cheia de rugas, que não sabes se é homem ou mulher, feia, cabelos desgrenhados e maltratados e corcunda, és tu Mafalda. É o Presente, o teu Presente; um Presente sem Passado. Eu, enquanto Futuro sou jovem, bonito, com energia e tenho muitas pessoas amigas e outras à minha espera. Mas eu agora enquanto estou contigo já não sou o teu Futuro. Foi isso que eu te vim cá dizer. Mas tu, Mafalda, como viveste só para um Futuro que tu sonhaste, que nunca ligaste ao Passado desprezando sempre o Presente… acontece que sem Presente não há Passado. Ora é o Passado e o Presente, juntos, que fazem o Futuro. O Futuro que tu sempre quiseste ter, é agora o teu Presente, és agora a imagem de ti mesma: essa figura velha, cheia de rugas, que não sabes se é homem ou mulher, feia, cabelos desgrenhados e maltratados e corcunda.
- Então porque é que dizes que és jovem, bonito, com energia e tens muitas pessoas amigas e outras à tua espera? – perguntou a Mafalda.
- É que eu vim cá anunciar que vais deixar de ter Futuro. E vou ser o Futuro de pessoas que me mereçam mais. Eu quis ser teu Futuro, pois tu, no início, foste muito promissora, mas depois tornaste-te arrogante, egoísta, mesquinha, sem humanidade nenhuma. Já não consigo aturar-te mais nenhum dia. Se quiseres pensar em ter um Futuro, outro Futuro que não eu, é melhor que comeces a dar mais atenção ao Presente, ser amiga das pessoas, tratar bem os mais velhos, ter um cão… Olha, Carpe Diem!
A Mafalda, posta perante esta revelação, apercebeu-se finalmene que não tinha gozado a vida e que a vida tinha passado por ela. Lembrou-se então de todas amigas, colegas, familiares que desprezou e ignorou. As palavras daquele Futuro ainda lhe martelavam na sua cabeça: essa figura velha, cheia de rugas, que não sabes se é homem ou mulher, feia, cabelos desgrenhados e maltratados e corcunda, és tu Mafalda. A cabeça da Mafalda trabalhava agora a mil à hora. Como é que ela nunca se apercebeu que o Futuro começava com o Presente, para assim, ter um Passado que a alimentasse e que ela tinha desperdiçado tudo? Finalmente, quando deixou que a arrogância, sobranceria e superioridade que a acompanhou toda a vida fosse substituida pela humildade, começou a chorar. Chorou muito. Chorou alto. Chorou de desespero, de tristeza e de de arrependimento por ter desprezado a sua família, as suas colegas, as suas amigas e que nem sequer tinha chegado a ter um cão.
- Nem sequer um cão tive! – gritou a Mafalda.
Foi então que sentiu uma mão forte, mas carinhosa, a agarrar na sua e lhe disse baixinho ao seu ouvido:
- Acorda, Mafalda.
E, a partir deste dia, nenhuma menina chamada Mafalda pensou mais no futuro, sem ter os pés bem assentes no presente e respeito pelo passado. 

A Nuvem das Promessas


 Foto: Anatar


Uma estória para crianças crescidas
ou, crescidos que ainda são crianças


Era uma vez...

Um grupo de meninas e meninos recebeu a visita de uma estranha e intrigante personagem que parecia estar zangada com eles.
Seria porque as meninas e meninos eram maus?
Ou… porque se portavam mal?
Eram desobedientes?
Não Faziam os trabalhos de casa?
Será que tratavam mal os pais, colegas, professores, amigos, amigas,  primos, primas, tios, tias ou avós?
Ou então não tomavam banho, nem lavavam os dentes?
Não. Essas meninas e meninos faziam tudo bem.
Eram exemplares.
Eram tão exemplares, mesmo tão exemplares, que ninguém tinha inveja deles.
Eram o orgulho de todos: dos pais, professores, amigos, amigas, primos, primas, tios, tias ou avós e até das pessoas que conheciam pela primeira vez.
Estas meninas e meninos, eram tão exemplares, mesmo tão exemplares, que os pais professores, amigos, amigas, primos, primas, tios, tias ou avós e até as pessoas que conheciam pela primeira vez, lhe estavam sempre a dizer que eles mereciam isto, mereciam aquilo e mais aquilo. Mas, como eram exemplares, diziam que eram assim, porque achavam que todas as pessoas deviam ser assim.
Os pais dessas meninas e meninos, gostavam tanto deles, mas mesmo tanto, que estavam sempre a prometer coisas, apesar dessas meninas e meninos estarem sempre a dizer que não queriam nada.
E a situação repetia-se sempre que chegava uma boa nova aos ouvidos dos pais dessas meninas e meninos: mal chegavam a casa, eram recebidos com muita alegria e, sem pedissem, os pais prometiam mais alguma coisa.
E hoje, essas meninas e meninos, tiveram então, a visita da tal estranha e intrigante personagem. E a estranha e intrigante personagem falou-lhes assim:
- Eu sou a Nuvem das Promessas. Tenho três cores: branca quando estou contente, cinzenta quando estou desconfiada e preta quando estou zangada. E quando estou mesmo muito zangada eu nem sei como fico!
- Pela cor que tens agora parece que estás desconfiada, disseram as meninas e meninos exemplares.
 - É verdade – disse a Nuvem das Promessas. – Ando a ver se as promessas que as pessoas fazem são cumpridas. Normalmente venho ralhar com meninas e meninos que prometem que vão estudar mas não estudam, que vão tomar banho mas não tomam, que dizem que vão lavar os dentes mas não lavam, que prometem que vão passar pouco tempo nas redes sociais ou na consola de jogos, mas não passam, etc., mas vejo que com vocês é ao contrário. – E  a Nuvem da Promessas continuou. – As pessoas que vos rodeiam é que passam a vida a prometer-vos coisas.  E vejo mais –  continuou a nuvem que começava a ficar mais escura – vejo que fazem muitas promessas e não cumprem.
- Mas, ó Sr.ª Nuvem – disseram as meninas e meninos em uníssono – a nós não nos importa. Nós gostamos de ser como somos….
- Sim! Está bem, mas as pessoas não têm de andar a exibir-se a dizer que vão fazer isto e que vão fazer aquilo e depois, nada! Quem promete tem de cumprir.  Quem fala que vai fazer isto e aquilo e não cumpre, não passam de oportunistas! E ainda por cima, quando são essas pessoas que tomam a iniciativa de prometer, sem que ninguém lhes tenha pedido nada!
- Ó Sr.ª Nuvem, agora estás mesmo preta! – Disseram as meninas e meninos exemplares.
- Estou muito zangada! Estou mesmo muitíssimo zangada! Estou muito zangada porque ninguém cumpre o que vos promete! E vocês também deviam estar assim!
Assim que acabou de falar, de repente e inesperadamente, a Nuvem das Promessas soltou um grande raio e um enorme trovão, com um estrondo tão grande, tão grande, que assustou as meninas e meninos exemplares.
- O que é que fizeste Nuvem das Promessas? – perguntaram as meninas e meninos, já refeitos do grande susto que apanharam.
- Soltei uns raios mágicos e, a partir de agora, se todas as pessoas que têm promessas por cumprir não as cumprirem, vão passar andar com uma nuvem à volta da cabeça. – Disse a Nuvem das Promessas com a cor muito zangada. – É para todos saberem quem é que não cumpre as promessas!
- A sério? – perguntaram as meninas e meninos. – E como é que vamos conhecer as pessoas?
A Nuvem das Promessas respondeu:
- Cada nuvem fica com a cara igual à da pessoa. Se a promessa for muito grande, ou muito antiga a nuvem é preta. Se a promessa for média e não é muito antiga,  é cinzenta. As nuvens vão ficando mais claras, conforme as pessoas vão cumprindo as promessas, até que desaparecem, quando as promessas forem todas cumpridas.
- Puxa nuvem, assim parece que ninguém vai fazer mais promessas!
- Quem fizer promessas tem de cumprir! Todos têm de aprender a lição! Não pode haver falsas promessas!
Dito isto, a Nuvem das Promessa desapareceu.
As meninas e meninos exemplares começaram a olhar à sua volta e só viram nuvens nas cabeças das pessoas.
Entretanto, as pessoas, cabeças de nuvem, repararam que aquelas meninas e meninos exemplares continuavam normais, sem nuvens na cabeça. Foram ter com eles e perguntaram:
- Porque é que vocês são os únicos a não terem nuvens na cabeça? – perguntou uma das cabeças de nuvem.
- Porque nós não temos nenhumas promessas para cumprir.
- Então estas nuvens só saem da nossa cabeça, se cumprirmos as promessas que fizemos? – perguntou outra das cabeças de nuvem, muito preocupada.
- Sim, para voltarem ao normal têm de cumprir todas as promessas que fizeram, disseram as meninas e meninos exemplares.
Foram precisos muitos anos para que as cabeças voltassem ao normal. Será que todos aprenderam a lição?
Será que ainda há cabeças de nuvem aqui por perto?